Sábado, 4 de Julho de 2009

Como julgamos os outros???


Para os habitantes de Nazaré Jesus era apenas “o carpinteiro” da terra, que nunca tinha estudado com grandes mestres e que tinha uma família conhecida de todos, que não se distinguia em nada das outras famílias que habitavam na vila; por isso, não estavam dispostos a conceder que esse Jesus – perfeitamente conhecido, julgado e catalogado – lhes trouxesse qualquer coisa de novo e de diferente… Isto deve fazer-nos pensar nos preconceitos com que, por vezes, abordamos os nossos irmãos, os julgamos, os catalogamos e etiquetamos…No nosso dia-a-dia gostamos tanto de falar dos outros, de apontar os erros dos outros, de ver o que os outros fazem de mal, de apontar o dedo, de criticar a maneira como falam e a sua forma de agir… Seremos sempre justos na forma como julgamos os outros? Por vezes, os nossos preconceitos não nos impedirão de acolher o irmão e a riqueza que Ele nos traz? E nós?


Alguém contava que dois Monges ao regressar ao mosteiro passavam por um local em que havia um pequeno riacho com uma corrente muito forte. Uma mulher tentava atravessar o rio mas não conseguia.
Um dos Monges ofereceu-se para ajudá-la, e pondo-a sobre seus ombros, atravessou-a para o outro lado.
Feito sua obra de caridade e já voltando para o mosteiro o companheiro disse:
- Vou contar aos irmãos do mosteiro que tu tocaste numa mulher, e sabes que não podes.
- O que é isso caro amigo, fiz apenas um favor aquela mulher.
- Mas, tu sabes que nós Monges não podemos tocar em mulheres, portanto, tu pecaste!
- Eu pergunto qual é o pecado? Perguntou o Monge acusado.
- Se é o que eu fiz levando-a sobre os ombros, até o outro lado do rio, ou o que tu fazes, eu deixei-a lá atrás e tu ainda a trazes na tua cabeça.


Nós somos mais rápidos em julgar os outros que a nós próprios…para os habitantes de Nazaré Jesus não podia ser grande coisa, conheciam-Lhe a família e devido aos seus preconceitos não pode ali ensinar…
Também nós ás vezes devido aos nossos preconceitos, pensamos saber tudo e fechamo-nos ao velho ensinamento popular: “ Estamos sempre a prender”…

Sábado, 27 de Junho de 2009

"TALITHA KUM"...


“ A tua fé te salvou” (Evangelho) deve ser para nós uma certeza em todos os momentos de desânimo, na certeza de que acreditamos neste Deus de amor e de paz. O “Talitha Kum” é Jesus que nos pega pela mão a dizer: “ Levanta-te e anda…continua sempre em frente, não desistas…
Alguém contava que um famoso compositor e pianista, estava programado para apresentar-se num grande salão de concertos. Era uma noite inesquecível – smokings e vestidos longos, uma ostentação do alto gabarito. Presente na platéia naquela noite estava uma mãe acompanhada de seu inquieto filho de nove anos. Cansado de esperar, o filho mexia-se constantemente na cadeira. A mãe tinha esperança de que ele se animasse a estudar piano ao ouvir aquele famoso pianista a tocar. Mesmo contra vontade, o menino estava ali. Enquanto ela se virou para conversar com alguns amigos, o menino desistiu de ficar sentado. Afastou-se dela estranhamente atraído pelo enorme piano e pelo macio banco de couro instalados no imenso palco, cujas inúmeras lâmpadas acesas chegavam a ofuscar os olhos. Sem atrair a atenção da requintada plateia, o menino sentou-se no banco, com os olhos arregalados diante das teclas brancas e pretas. Em seguida, colocou seus dedos pequenos e trémulos nas teclas certas e começou a tocar uma música simples. Na plateia fez-se silêncio, e centenas de rostos carrancudos voltaram-se em direcção ao garoto. Logo irritadas, as pessoas começaram a gritar:"Tirem o garoto daí! Quem trouxe esse traquina para aqui?"‘Onde está mãe dele?""Mandem o garoto parar!"
Dos bastidores, o mestre ouviu a gritaria e pôs-se a imaginar o que estaria acontecendo. Apressado, ele pegou na sua casaca e correu para o palco. Sem dizer uma só palavra, curvou-se sobre o garoto, passou os braços ao redor dele e começou a improvisar uma música que se harmonizava com aquela simples musica que o garoto tocava. Enquanto os dois tocavam, o famoso pianista sussurrava ao ouvido do garoto:
- Continua. Não desistas. Continua a tocar... não pares... não desistas.
O mesmo acontece connosco. Diante das coisas simples e por vezes mais complicadas da vida. E, quando estamos prontos para desistir, chega o Mestre, que se curva sobre nós e sussurra:
Continua... Não desistas. Vai em frente... não pares, não desistas, enquanto Ele improvisa a melhor maneira para nos ajudar.

Por isso na vida há sempre alguém ao nosso lado que precisa ouvir da boca de Jesus esta mensagem…e agora é pela nossa boca que o deve escutar…tenhamos a coragem de nos momentos mais difíceis conseguirmos dizer uns aos outros: “Talitha Kum, levanta a cabeça…não desistas”… aí é Jesus que fala aos outros através de nós…
TALITHA KUM…

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Se tiverdes Fé...


Na vida há momentos de prova para a nossa fé semelhantes ao da tormenta no lago, para os discípulos. Quando a tempestade nos açoita sem piedade, quando a Igreja de Cristo é perseguida, quando a dor nos visita insistentemente, como a Job, quando o mal triunfa e os valores como o bem e a virtude obscurecem, quando a pobreza, a des¬graça e a morte aparecem altivamente na nossa vida, quando, numa palavra, nos dói o silêncio de Deus que parece estar a «ti¬rar uma sesta», como Jesus na barca, então, surge a queixa nos nossos lá¬bios: «Senhor, não Te importas que nos afundemos?»
Se o nosso grito é oração, está bem. Mas se é desconfiança na Providência, dúvida e falta de fé, teremos que escutar a correc¬ção de Jesus: «Porque sois tão cobardes? Ainda não tendes fé?»
Ás vezes é muito importante perguntarmo-nos como enfrentamos as dificuldades…com força e coragem ou ás vezes partimos logo como uns derrotados…nem sequer nos esforçamos…

Alguém contava que um País estava em guerra. O general decidiu atacar. Apesar de ter apenas um soldado para cada dez inimigos, o general estava confiante de que venceria.
Quando seguiram para o combate, entraram num santuário para rezar. Logo que saíram, o gene¬ral disse ao seu exército:
— Vou atirar uma moeda ao ar. Se sair cara, ganha¬remos. Se sair croa, perderemos.
Atirou a moeda ao ar e saiu cara. A satisfação foi geral.
Os soldados partiram para o lugar de combate a cantar cânticos de vitória. E encheram-se de uma tal coragem e confiança que ganharam. Terminada a batalha, depois dos inimigos disper¬sarem, o general mostrou aos seus soldados a moeda que tinha lançado ao ar: tinha cara dos dois lados.
A vitória foi possível porque em cada soldado existia uma convicção interior de que a vitória era possível. Se iniciassem a luta com o sentimento negativo da derrota, certamente que perderiam.
O nosso pensamento positivo tem uma grande força. Necessitamos dele todos os dias para vencermos as pequenas e as grande batalhas da vida. Se iniciamos uma actividade já com a con¬vicção da derrota, seremos mesmo derrotados. Se a iniciamos com a audácia de vencer, será mais fácil alcançar a vitória.
Cada vez entendo melhor Mt. 21,20-22: “Em verdade vos digo: Se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que Eu fiz a esta figueira, mas, se disserdes a este monte: ‘Tira-te daí e lança-te ao mar’, assim acontecerá. Tudo quanto pedirdes com fé, na oração, haveis de recebê-lo”
Como está a minha fé?

Sábado, 13 de Junho de 2009

a semente em nós...


Em tempos de crise não podemos cruzar os braços e deixar que a crise tome conta de nós…

Alguém contava que um homem vivia á beira da estrada e vendia cachorros-quentes. Não tinha rádio e, por deficiência de visão, não podia ler jornais. Em compensação, vendia bons cachorros-quentes.
Colocava uns cartazes na beira da estrada, anunciando a mercadoria, e ficou por ali gritando quando alguém passava: "Olha o cachorro-quente especial!!!"
E as pessoas compravam. Com isso, aumentou os pedidos de pão e salsicha com qualidade, e acabou por construir uma mercearia. Com o dinheiro que ganhou pode mandar o filho estudar na Universidade e formou-se em Economia. Quando o filho se Doutorou, voltou a casa do Pai e viu que ele ainda vendia cachorros quentes disse: - "Pai, o senhor não tem ouvido rádio? Não tem lido jornais? Há uma crise muito séria e a situação internacional é perigosíssima!"
Diante disso, o pai pensou:
- "Meu filho é Doutorado na universidade! Ouve rádio e lê jornais... portanto, deve saber o que está dizer!"
Então, reduziu os pedidos de pão e salsichas e comprava de menor qualidade, deixou de colocar os cartazes na beira da estrada, e não ficou por ali apregoando os seus cachorros-quentes. As vendas caíram do dia para a noite e ele disse ao filho:
- "Você tinha razão, meu filho, a crise é muito séria!
Nós não podemos cruzar os braços…precisamos de deixar que a semente frutifique e devemos esforçar-nos para que ela frutifique ainda mais…

Sábado, 6 de Junho de 2009

Um Deus que é Amor...

Deus não é um ser solitário, que vive isolado, sem ninguém. Ele é comunhão, é família de três pessoas que se amam.
O Nosso deus não é um ser distante…ele está sempre connosco até ao fim dos tempos.
O nosso Deus não é um ser insensível, indiferente, despreocupado connosco. Ele alegra-se e sofre connosco, por isso quer que tenhamos a vida plena abundante e feliz…

O Nosso problema é um só: somos uns seres sempre insatisfeitos…ás vezes nada nos enche as medidas…os pais porque não têm os melhores filhos; os filhos porque não têm os melhores pais; os catequistas porque não têm os melhores catequizandos e os catequizandos porque não têm os melhores catequistas…o padre porque não tem os melhores paroquianos e os paroquianos porque não têm o melhor Pároco…vivemos sempre a queixar-nos…não sabemos olhar á nossa volta e reparar naquilo que Deus nos dá a cada momento…


Um homem descontente com a sorte queixava-se de Deus. E dizia:
- Deus dá aos outros as riquezas, e a mim não dá coisa alguma. Como é que posso ser feliz nesta vida, sem possuir nada?
Um velho ouviu estas palavras e disse-lhe:
- Por acaso você é tão pobre quanto diz? Deus não lhe deu, porventura, saúde e juventude, vida?
- Não digo que não, até me orgulho bastante da minha força e da minha juventude.
O velho então pegou-lhe na mão direita do homem e perguntou-lhe:
- Deixe-me cortar esta mão por 5 mil euros?
- Nem por dez mil!
- E a esquerda?
- Também não!
- E por dez mil euros você ficaria cego por toda vida?
- Nem um olho daria por tal dinheiro!
- Veja - observou o velho - quanta riqueza Deus lhe deu e você ainda se queixa?
Foi quando o homem descontente se deu conta de que o velhote era completamente cego…
Hoje somos convidados…a contemplar este Deus Trindade que é amor e nos ama…e caminha connosco… e por tudo sabermos dizer: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Sábado, 30 de Maio de 2009

Espirito Santo...o nosso esforço e a força do Mestre...

Jesus envia os discipulos mas fortalece-os..."Recebei o Espirito Santo"...como que a dizer..." A missão é possivel com o vosso esforço e a Minha força...como o Pai me enviou também Eu vos envio..."

Alguém contava que uma vez, Jesus e os seus apóstolos desceram do céu até ao mundo para ver como andavam as coisas.
Logo de início, viram um carro atolado num caminho de lama. Os bois puxavam, mas as suas patas não tinham onde se apoiar firmemente para puxar com força. O dono do carro, irritado, empurrava as rodas e dizia muitos palavrões. Tanto assim que os apóstolos propuseram a Jesus que castigasse esse homem de má-língua. Mas Jesus disse que não. Pelo contrário, aquele homem merecia que lhe dessem uma ajuda. E assim fizeram. Os apóstolos, com Jesus, ajudaram esse homem a tirar o carro da lama. Ele agradeceu e seguiu o seu caminho.
Mais adiante, Jesus e os apóstolos encontraram-se com outro carro metido num pântano. Mas neste caso o dono era muito piedoso. Em lugar de descer do carro e fazer como o outro, tinha-se ajoelhado lá dentro e a rezar a Deus, a Nossa Senhora e a todos os santos que o tirassem dessa situação angustiosa. Os apóstolos concordaram imediatamente em ajudá-lo. Mas Jesus proibiu-os dizendo-lhes:
— Deixai-o! Não o ajudem, pois não o merece. Os apóstolos ficaram surpreendidos por estas palavras. Um deles, Simão Pedro, aproximou-se de Jesus e disse-lhe:
— Desculpa, Senhor! Não quero desobedecer às tuas ordens, mas parece-me que houve aqui uma confusão. Não é justo termos ajudado aquele que dizia palavrões enquanto se esforçava por sair daquela situação, e nada fizemos por aquele que rezava confiadamente.
Jesus respondeu:
— Precisamente por isso. É certo que o homem dizia palavrões muito feios, mas da sua parte fazia tudo o que podia para sair daquela situação. Mas este pretende que sejamos nós a resolver o seu problema sem contribuir com nenhum esforço da sua parte. Que faça primeiro tudo o que puder e então nós o ajudaremos.
O primeiro homem, apesar de furioso, fez tudo o que podia para resolver a situação. O segundo, porém, esperava que Deus e os santos fizessem tudo.

Deus dá o seu Espírito de fortaleza a todos os que põem as suas energias na resolução dos problemas do mundo, a fim de o tornarem melhor. Com o nosso esforço e o Espírito de fortaleza que Deus nos dá podemos mudar o mundo.

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

E este o Meu mandamento: " Amai-vos..."

A certeza de que “Deus é amor” e que Ele nos ama com um amor sem limites, é o melhor caminho para derrubar as barreiras de indiferença, de egoísmo, de auto-suficiência, de orgulho que tantas vezes nos impedem de viver em comunhão com Deus.
É esse o caminho que Jesus propõe aos seus discípulos (“é este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei”). É aqui que reside a “identidade” dos discípulos de Jesus… Os cristãos são aqueles que testemunham diante do mundo, com palavras e com gestos, que o mundo novo que Deus quer oferecer aos homens, se constrói através do amor.
Alguém contava que um homem de idade já bem avançada foi fazer um curativo à Clínica. Estava apressado, dizendo-se atrasado para um compromisso, e enquanto o tratava a enfermeira perguntou-lhe sobre qual o motivo da pressa. Ele disse que precisava ir a um asilo de anciãos para, como sempre, tomar o café da manhã com sua mulher que estava internada lá.
Disse que ela já estava há algum tempo nesse lugar porque tinha um Alzheimer. Enquanto lhe acabava de fazer o curativo, a enfermeira perguntei-lhe se ela não ficaria alarmada pelo facto de ele chegar mais tarde.
- Não, ele disse. Ela já não sabe quem eu sou. Faz quase cinco anos que não me reconhece?
Estranhando, perguntou -lhe:
- Mas se ela já não sabe quem o senhor é, porque essa necessidade de estar com ela todas as manhas?
Ele sorriu e dando uma palmadinha na mão da enfermeira, disse:
- É. Ela não sabe quem eu sou, mas eu sei muito bem quem é ela.
O verdadeiro amor é a aceitação de tudo o que o outro é, do que foi, do que será e... do que já não é..."
Por isso os cristãos são aqueles que testemunham diante do mundo, com palavras e com gestos, que o mundo novo que Deus quer oferecer aos homens, se constrói através do amor… mas do verdadeiro…